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Algumas palavras segundo o novo acordo ortográfico

sábado, 12 de setembro de 2009

7 aforismos  

Palavra correcta
Palavra acordortograficada
morde
mord
morte
mort
diferente
difrente
interrupção
intrrupção
-te
-t
número
númro
televisão
tlevisão
tropeção
tropção
dezena
dzena
se
s
computador
comptador

Afinal, se vão tirar consoantes a mais, por que não tirar também as vogais a mais?

Derramou-se leite? Então derrame-se mais

terça-feira, 23 de junho de 2009

Como é do conhecimento público, recentemente o governo propôs (ou já foi aprovada, não sei, não me entendo) a extensão da escolaridade obrigatória para um período de 12 anos. Esta medida recebeu várias críticas pertinentes, embora alguns partidos da oposição tenham (surpreendentemente) aplaudido a acção, fazendo notar, todavia, que se tratava, provavelmente, de uma jogada eleitoralista - suposição que é, muito provavelmente, verdadeira.

Diz-se que este aumento da escolaridade obrigatória não mais é que uma manobra para melhorar as estatísticas, que põe em causa a qualidade do Ensino Secundário, que é ineficaz para atingir uma melhor formação dos alunos, e que mantém na escola pessoas que já deviam ter saído dela. Todas estas críticas - especialmente as duas últimas - são válidas. Concordo com todas.

Infelizmente, nenhuma delas vai suficientemente longe. Embora válidas, são também superficiais. O verdadeiro problema parece estar a escapar a toda a gente - o que é grave, visto que é o que mais necessita de uma solução.


As crianças são naturalmente curiosas. Não conheço ninguém que negasse tal afirmação - e por bons motivos: qualquer pessoa que tenha tido contacto com crianças sabe que elas fazem uma grande quantidade de perguntas sobre coisas que não conhecem. Também é, pelo que sei, consensual que esta atitude é saudável e bem-intencionada, e é óbvio que, se encorajada, pode levar a grandes aprendizagens e - presumindo que não há complicações pelo caminho - ao desenvolvimento pleno da criança.


Se encorajada.

E o problema é que não é encorajada. Pior, é desprezada e repisada, por intermédio de programas que tencionam definir exactamente aquilo que deve ser aprendido.

O actual sistema escolar assume, erradamente, que todos os jovens podem e devem aprender as mesmas coisas, da mesma maneira, ao mesmo ritmo e no mesmo lugar. Não sei quem teve esta ideia, mas diria que tem um QI abaixo de 10, pois este pressuposto é totalmente absurdo e qualquer pessoa que tenha tido contacto com jovens sabe isso. O resultado da aplicação deste tipo de princípios é que, previsivelmente, a vasta maioria dos "alunos" falha miseravelmente na escola.


Outro problema da escola é a sua tentativa de quantizar as capacidades e evolução dos jovens - algo que falha miseravelmente porque as características das pessoas são demasiado complexas para serem descritas por meia dúzia de números numa escala que só admite até 21 valores diferentes (e que se pretende aplicar a milhares de pessoas!). A piorar este problema está o facto de a escola só valorizar uma fracção ínfima das características da pessoa. Isto leva a que pessoas perfeitamente capazes sejam descartadas pelo sistema escolar por não possuírem as características que este último exige.


Como se tudo isto não fosse já suficiente, temos ainda o facto de que uma grande quantidade das "aprendizagens" feitas na escola são completamente inúteis na vida futura dos alunos (quem é que, aos 30 anos, se lembra de sequer um quinto do que "aprendeu" na escola?). Ou seja, todo o esforço que eles fazem (e não é pouco) ao longo de doze anos (segundo a nova proposta) é em vão. Isto é alarmante tendo em conta que a escola ocupa a maior parte do tempo daqueles que a frequentam.


Tudo isto é grave, mas se não fosse um pequeno factor, não seria nem de perto tão grave.

O factor chama-se - como o leitor provavelmente já terá adivinhado - escolaridade obrigatória.

Sim, leu bem. Os jovens a partir dos 6 anos são forçados a frequentar o erro crasso chamado "escola", acima descrito.

Uma coisa é cometer um erro. Outra é fazer com que toda a gente sofra as consequências. Estamos em presença da última situação.


Uma das justificações apresentadas para a existência da escolaridade obrigatória é a seguinte: é do interesse da sociedade evitar que se formem sociedades paralelas baseadas em convicções filosóficas alternativas e integrar as minorias na sociedade (fonte fraquinha, mas é o que há) . Soa bem, não soa?

Talvez soe. Mas a verdade é que se trata de uma desculpa patética. A expressão sociedades paralelas não tem significado, pois todos os grupos de pessoas interagem uns com os outros, inevitavelmente; para além de que o termo "paralelo" tem uma conotação marcadamente (e injustificadamente) negativa, como em "economia paralela".

Depois, é notória a intolerância demonstrada pelo autor desta frase, ao classificar todas as convicções minoritárias como perigosas. Este tipo de pensamento era bastante comum em membros do Partido Nazi. E eu que pensava que já estava extinto.

Por fim, a "integração" mencionada cheira a esturro. Quando o autor da frase se refere às minorias de uma forma tão negativa, é impossível ter confiança nele. Penso que um termo mais adequado seria "lavagem ao cérebro".


Mencionei atrás que a escola desperdiça muito do tempo daqueles que a frequentam. Isto seria praticamente irrelevante, não fosse a escolaridade obrigatória. Graças a esta, todos os jovens a partir dos 6 anos vêem o seu precioso tempo (e o tempo da juventude é particularmente precioso) gasto da forma mais fútil possível, durante um tempo variável que, hoje, é de 9 anos em Portugal. De facto, dado que a escola exige que o aluno se encontre no seu terreno durante muitas horas por dia, a escolaridade obrigatória assemelha-se a uma sentença prisional em part-time.

Quase uma década gasta em vão.

Infelizmente, as crianças que entram na escola não têm, geralmente, a capacidade de se aperceberem desta situação. Quando o conseguem fazer (se chegam a fazê-lo, o que é raro), tipicamente, já os estragos são monumentais.


Outra justificação utilizada para a escolaridade obrigatória é a seguinte: o jovem tem o dever de aprender e nada mais. Nada mais errado. A aprendizagem e a educação não devem excluir tudo o resto, sob quaisquer circunstâncias - pois toda a aprendizagem do mundo é inútil se não puder ser utilizada!


Apesar de tudo o que já disse, o que mais me indigna na escolaridade obrigatória é o desrespeito atroz perante a liberdade e independência dos jovens (e que é patente em muitas outras leis). O jovem que queira aprender a sério algo que não esteja coberto num programa escolar, aquele que prefira crescer de outra forma que não a imposta pelo estado, ou, até, aquele que queira trabalhar para ter uma vida independente sem ter que esperar anos e anos apenas por causa de uma restrição arbitrária (desejo que seria, provavelmente, tomado como absurdo), não tem opções. Está aprisionado, e para libertar-se, ou espera ou toma medidas drásticas.


Desde que penso sobre o assunto que se tornou claro, para mim, que a escolaridade obrigatória está a causar males incontáveis à juventude de Portugal e do mundo. Está a transformar algo nobre, importante e valioso - a educação e a aprendizaem - numa obrigação, numa sobrecarga que deve ser temporária. Quando isto acontece, é sinal de que alguma coisa está muito, muito mal.

Por isso, concluo dizendo que estou horrorizado com esta proposta extensão da escolaridade obrigatória. Já era um problema gravíssimo, e, ainda assim, tenciona-se agravá-lo. E não é só em Portugal.

Temo verdadeiramente pelo futuro da juventude.

Srª Fátima, de que cor é a sua roupa interior?

domingo, 12 de abril de 2009

0 aforismos  

in WEHAVEKAOSINTHEGARDEN


As funcionárias da Loja do Cidadão de Faro, inaugurada a 3 de Abril, foram proibidas de usar saias curtas, decotes, saltos altos, roupa interior escura, gangas e perfumes agressivos.


in Público (negrito adicionado por mim)


A notícia de anteontem não podia ter mais piada. Aliás, é das coisas com mais piada que ouvi nos últimos tempos.

Uma coisa que quero por já clara e que não estou a dizer que as referidas funcionárias devam atender os clientes com roupa dita "ousada". Como a MariaEduarda diz, e bem: "acho que se têm contacto com o público deviam ter uma farda qualquer. podia ser super simples, mas uma roupa que tivessem todas igual!". Ora, que mal têm os saltos altos? Que eu saiba, não expõem nada. E a parte das cuecas é verdadeiramente hilariante. As funcionárias da Loja do Cidadão com certeza não andam com elas à mostra. A não ser que tivessem saias transparentes, mas essas só aparecem nas exibições de moda. Tendo em conta que o Sócrates é considerado o sexto homem mais elegante do mundo (ou coisa semelhante), explica-se a existência de tal medida.

Isto preocupa-me. Não tanto pelos arzinhos do salazarismo que, alegadamente, andam por aí, mas sim pelo futuro estado do nosso país. Se o Sócrates pensa que Portugal é uma exibição de moda, então, um dia destes, pintam as passadeiras todas de vermelho. (O sangue que se espalha nelas todos os dias, por essa altura, já terá feito muito do trabalho.). O que colocaria o nosso país na linha da frente da inovação no que à sinalização rodoviária diz respeito, e nos tiraria a possibilidade de criticar o facto de sermos um país atrasado. Interessante.

Especialmente a forma como se passa de cuecas pretas a passadeiras vermelhas.

A verdadeira Ministra da Educação, mais conhecida por Milú, Marilú, ou Lurdinhas

quinta-feira, 2 de abril de 2009

0 aforismos  

modificação muito pouco imaginativa da autoria de The Purple Teen Wizard

Ultraje!

domingo, 25 de janeiro de 2009

1 aforismos  

Hoje abri a minha caixa de correio electrónico e tinha um novo e-mail. O e-mail continha a cópia de uma notícia publicada no Jornal Público (para quem quiser consultar carregue aqui) intitulada: "GAVE confirma alteração no método de classificação dos exames nacionais".
Como aluno do 11º ano fiquei curioso para saber qual fora a fantástica medida que tinha sido tomada desta vez. Os meus olhos percorreram as letras à minha frente enquanto o meu dedo ia puxando o ecrã cada vez mais para baixo a fim de ler toda a notícia.
Primeiramente não fiquei incomodado com o título nem com as primeiras palavras, já não estava à espera de uma coisa muito boa. No entanto, ao continuar a ler a notícia deparei-me com uma situação preocupante para o futuro dos alunos.
Resumindo a notícia, as antigas oito opções de verdadeiro ou falso presentes nos exames nacionais, passarão a ser apenas quatro. A pontuação que lhes será atribuída passara de dez para cinco pontos. Os critérios de correcção passarão a dar zero pontos a quem errar apenas uma alínea.
Sim, esta foi a parte em que os meus olhos quase saíram do globo ocular. Então ao errar uma alínea de verdadeiro ou falso a questão ser-me-à cotada com zero pontos? Que justiça, que beleza, que decisões extraordinárias... Não consigo encontrar mais adjectivos para descrever a enormidade desta decisão (entenda-se que todos os adjectivos são para ser lidos com sentido irónico).
Deste modo, os alunos vão ficar com sérios problemas. Conhecem a expressão: "Ou é para tirar 20 ou não é!". Definitivamente estamos perante um caso desses. Ou tiramos a nota mais alta, ou então podemos dizer adeus à nota que queríamos alcançar, pois ela escapa-nos por entre os dedos e cai no poço mais profundo da realidade. Nós para a tentarmos agarrar vamos atrás dela e também caímos. É assim que as coisas se vão passar de agora em diante. Um autentico clima de nervosismo, insegurança e insucesso.
As notas vão descer e os alunos vão começar a estar ainda mais desmotivados.
Deixem-me dar uma ajudinha ao ministério na sua recente demanda: porque não implantam o antigo critério de tirar pontos a quem erra a escolha múltipla em vez de contar como zero? (frase que deve ser entendida como um género de gozo).
De uma forma geral, é desta forma que os alunos saem prejudicados nas provas de exame nacional. Mesmo que o aluno domine totalmente a matéria e que, por um qualquer motivo do destino, erre uma alínea fica prejudicado em tantos pontos quantos os que valem a questão.
E a todos deixo cumprimentos e boa sorte para o verdadeiro ou falso dos exames porque vão precisar!

O genocídio do bom português

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

1 aforismos  

Há algum tempo (quanto, exactamente, não sei) aprovou-se o novo acordo ortográfico. As mudanças na língua que este acordo apresenta são lamentáveis e, no meu entender, contribuem, apenas e só, para empobrecer o português, do qual a nossa pátria é indissociável.
Senão vejamos - o que se faz com este acordo (sim, escrevo com letra minúscula, porque não merece a honra da maiúscula) é retirar coisas. Retirar os agás, os cês, os acentos, os hífens. Pior, os resultados são totalmente ridículos. Quem é que quer escrever "istória"? Ou "oje"? Ou, pior, "orário"?
E as confusões que se geram? "Eu estava a pensar num fato.". Com o acordo ortográfico, isto tem um sentido duplo. Em português correcto as palavras fato e facto escrevem-se de maneiras diferentes. Como devem ser escritas. O governo anda a promover muito as Novas Oportunidades, o que tem muito que se lhe diga, de bom e de mau, mas está, e isso é incontestavelmente mau, a promover as Novas Ambiguidades.
É por tudo isto que este novo acordo ortográfico, é, na verdade, um tratado de genocídio muito bem disfarçado. Um genocídio de letras, de acentuação, de hifenização.
A única forma de pôr um travão a este massacre é continuar a escrever como agora. Porque esta atrocidade que se está a cometer contra a nossa língua só vai para a frente se nós quisermos.
Não deixemos a galinha da morte pôr os seus ovos na língua portuguesa. Porque ela não merece essa desfeita da nossa parte.